sábado, 18 de outubro de 2025

O BOTO DA BOA ESPERANÇA


Na década de 60, a Festividade de Santa Maria da Boa Esperança era um grande festejo religioso que movimentava a cidade de Igarapé-Miri. Para chegar ao local onde era realizada a festividade, as pessoas tinham que seguir pela Estrada Alves Teixeira e passar por uma pequena ponte de madeira que atravessava o igarapé que corta a Boa Esperança e deságua no rio Igarapé-Miri, na famosa Marambaia, na Matinha.
Era noite de baile na tradicional Festividade de Santa Maria da Boa Esperança. Muitas moças e rapazes dançavam ao som de música ao vivo no barracão, quando de repente apareceu um rapaz vestido todo de branco, com chapéu na cabeça e muito bonito. O homem misterioso logo chamou a atenção das moças, pois todas queriam dançar com ele. 
Enciumados, os rapazes logo ficaram com raiva do homem misterioso, pois todas as mulheres presentes no baile só queriam dançar com o rapaz de branco. Assim, o homem passou horas dançando naquela festa. 
Ao madrugar, já aborrecidos com o rapaz misterioso que roubava a atenção de todas as mulheres, os homens que estavam na festa se reuniram para encarar e expulsá-lo. Ao perceber que o grupo de homens vinha em sua direção, o homem de branco largou a moça com quem dançava e logo foi saindo do barracão em direção ao portão, mas sempre olhando para trás. Ao perceberem que o homem já estava no portão do barracão, o grupo de homens correu atrás do rapaz que, assustado, saiu correndo pela Estrada Alves Teixeira, rumo ao igarapé. Ao chegarem próximo ao sítio do Dorival Galvão, viram o rapaz subindo no parapeito da ponte e se jogar no igarapé, desaparecendo nas águas. 
Os homens passaram horas na ponte e nas margens do igarapé procurando o homem misterioso, chegando a procurar com lanternas e lamparinas, mas não conseguiram encontrar. Sem sucesso na busca, decidiram esperar na ponte até o amanhecer, pois com a luz do dia o homem não conseguiria se esconder. 
Ao amanhecer, com as águas baixas do igarapé, os homens desceram para debaixo da ponte, pois acreditavam que o homem estava escondido lá, mas não encontraram nada. Semanas depois desse acontecimento, uma das moças, que dançou com o rapaz misterioso e que morava nas margens do igarapé da Boa Esperança, foi lavar roupa em um tendal construído por seu pai na beira do igarapé. Menstruada, enquanto fazia as suas tarefas a moça foi assombrada pelo boto. 
Ao perceberem o comportamento estranho da moça, a família logo a retirou da beira do igarapé, contra a sua própria vontade. A moça fazia muita força, tentando se livrar de sua família. Vendo a situação da moça, a família levou-a para o Barracão da Tia Mimim, uma famosa mãe de santo da cidade de Igarapé-Miri. Lá a moça permaneceu por dias, participando de banhos e outros rituais para livrar a jovem da maldição do boto.
Uma semana depois, a moça retornou para a sua casa, mas, com medo, mudou-se para Belém, onde reside até hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário